
Carabine.
O seu olhar é como uma carabina e o meu corpo é o alvo. Eu sinto a bala estilhaçar no meu estômago e meu sangue ferver movido pela adrenalina.
O seu toque indireto é certeiro, retira minha atenção e meu ar por inteiro. Desaprendi a falar e a andar por estar hipnotizada. Tudo gira em torno de nós dois, é como se não existisse mais nada.
E você ainda mora aqui, nunca saiu daqui, sempre esteve aqui. Fazendo morada, deixando seu cheiro, seu toque e todos os seus detalhes por onde passou. E não há nada que eu possa fazer, me afastar ou fugir já não adianta. Tudo me lembra você e isso dói tanto, dói porque eu sei que não é justo com você, mas eu nunca fui justa com você, nunca fui justa com a gente. Eu espero do fundo do meu coração que você me esqueça e que eu consiga um dia esquecer toda essa mágoa que há dentro de mim, uma mágoa vazia mas que ainda vive aqui dentro, queria me desligar, está uma bagunça aqui dentro e não estou conseguindo mais lidar.